Cinco pontos fazem diferença

Fotos: Rogério VItal

Gostaria de falar um pouco sobre como os restaurantes enxergam o vinho, como eles tratam esse produto e de fazer algumas sugestões que podem ser válidas para quem vai montar seu restaurante. 

O grande dilema de todo dono de restaurante quando vai abrir sua casa é se deve fazer uma carta comercial ou uma carta sofisticada para impressionar seus clientes. Se eu colocar esses vinhos básicos que a maioria das pessoas bebe, será que vão achar meu restaurante muito popular? Se eu fizer uma carta de vinhos bem exclusiva com vinhos boutiques, mais caros, será que vai vender?


Bem, para esses dilemas eu sempre tenho uma solução bem simples. Um restaurante é um negócio e como todo negócio deve ser encarado com tal. A carta de vinhos de um restaurante é um excelente instrumento para alavancar vendas, deixando o cliente satisfeito e encantado. Mas que isso aconteça, devemos encarar o desafio de uma forma prática.

Primeiro, se for investir em vinho, faça da forma correta. Compre taças adequadas, decanters, adega, mas principalmente, contrate alguém que goste do assunto e que saiba vender vinho. Encarregue ele de treinar o resto da brigada, para que possa assim formar uma equipe bem informada e motivada.
 
Segundo, faça uma carta enxuta, de 25 a 30 rótulos, inclua os vinhos comerciais, pois isso vai representar uma fatia importante do seu faturamento, e inclua algumas garrafas para quem quiser algo mais caro e sofisticado. Importante, tenha um carro chefe, escolha alguns vinhos para trabalhar, que sejam bons e não custem caro.
 
Terceiro, a sua carta de vinhos não é definitiva, mas não a troque logo, espere alguns meses para fazer as modificações, pois o cliente precisa de tempo para experimentar  e gostar.  A não ser que a sua carta tenha sido um desastre!
 
Quarto, não caia naquela pegadinha do cliente que queria beber um vinho super diferente de um país que nem você conhece. Provavelmente ele está só fazendo charme. Se você tivesse aquele vinho na sua carta, ele pediria um Cabernet Sauvignon ou um Chardonnay chileno.  O que as pessoas mais bebem é Cabernet Sauvignon, Malbec,  Chardonnay, Sauvignon Blanc do Chile ou da Argentina. Vinhos de nomes esquisitos, só quem bebe é especialista, e esses levam seu vinho e pagam a rolha. Estamos longe de formar esses conhecedores em quantidade!
 
Quinto, aceite que o cliente leve seu vinho e cobre uma rolha que ele ache interessante pagar. Se ele gostar de sua comida ele vai viver no seu restaurante! Conheço pessoas que tem adegas em casa com 300, 400, 600 garrafas. Essas pessoas só frequentam restaurantes que permitam que elas levem seu vinho, e elas frequentam muito esses restaurantes. Se você não permitir que esse cliente leve seu vinho, ele vai para outro lugar.
 
  • Antônio Alves

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