A Comida em Cena

Fotos: Divulgação

Comida no Cinema quer dizer em todo o mundo "A festa de Babette" (1987), um belo filme do dinamarquês Gabriel Axel, um fenômeno midiático (pizzarias, restaurantes, bistrôs com o nome Babette em todos os países) como poucos outros. Entretanto, é desde seu nascimento que o cinema celebra seu casamento com a comida: um dos dois temas tratados pelos irmãos Lumière na primeira exibição pública, 28 de dezembro de 1895, era "O almoço do bebê". E o cinema entregou a comida, freqüentemente, seus problemas, suas manias, até suas idiossincrasias. "Adivinhe quem vem para jantar"¹ (Stanley Kramer, 1967) tenta tratar o tema do racismo e a arena escolhida para a luta entre Spencer Tracy e Sidney Poitier é a sala de jantar.

Alfred Hitchcock mostra sua antipatia para o típico café da manhã anglo-americano quando faz Jessie Royce apagar um cigarro na gema de ovo em "Ladrão de casaca" (1955). O diretor Tony Richardson tenta uma representação do sexo deleitoso, fazendo-o começar à mesa, no filme "Tom Jones" (1963), com Albert Finney. Freqüentemente, os diretores manifestam sua cultura e preferências com os filmes que eles fazem. Martin Scorsese, ítalo-americano, faz uma apologia da cozinha do Sul da Itália em "Os bons companheiros" (1990), quando descreve a fissura do gangster gourmet que na prisão mostra como se fatia o alho: em lâminas tão finas que possam derreter no azeite. E Quentin Tarantino ("Pulp Fiction", 1994) trata o cheeseburger como se fosse uma obra prima da gastronomia internacional. 

 
O cinema tem também o dom de colher a essência espetacular da comida. Além de Babette, então, temos o mágico "Comer, beber, viver" (Ang Lee, 1994): mais de cem receitas e 18 horas para preparar a comida na mesa da primeira tomada! Depois, o jantar continuamente obstaculizado em "O Discreto Charme da Burguesia" (Luis Buñuel, 1972) e especialmente, Charlie Chaplin em "A febre do ouro", (1898) quando come seus sapatos cozidos como se fossem as codornas de Babette! Em "Vatel" (Roland Joffé, 2000) a opulência da comida se torna "cenográfica". Mais "pesada" é a comida representada tanto pelo italiano Marco Ferreri ("A comilança", 1973), como a do britânico Peter Greenaway ("O cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante", 1993). Ao contrário - dulcis in fundo – o francês Jean Gabin, ("Grisbi, o ouro maldito",1954), quando fala para seu amigo do esconderijo onde tem bons vinhos e foie gras para qualquer emergência, nos desvenda, talvez, um sentido da gastronomia: a sobrevivência bem temperada.
 

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