NOTAS DE CERVEJA

 

 
O homem deixa de ser um mero nômade e começa a formar aldeias nas margens de rios e lagos. A domesticação de animais e o domínio das técnicas de pecuária e, sobretudo, da agricultura são estabelecidos gradativamente. A labuta diária passa a ser dividida entre jovens e idosos, homens e mulheres, ricos e pobres. Ferramentas são inventadas. A roda é inventada. A escrita ainda não.
 
Estamos na Revolução do Neolítico, tempo transitório entre a Pré-história e a História. Nesse período surgem as sementes mais primitivas do que hoje chamamos de cidade. E também do que chamamos de sociedade.
 
Nesse ponto e vírgula importante da nossa história, destacavam-se os Sumérios – a mais antiga civilização que se tem notícia. Viviam no sul da Mesopotâmia, nas terras férteis das margens dos rios Tigres e Eufrates. A eles, atribuem-se várias invenções. A escrita cuneiforme, as cidades-estado, o calendário, os primeiros estudos sobre astronomia e, entre várias outras, a cerveja.
 
Uma tábua sumeriana com cerca de seis mil anos de idade, na qual se vê humanos tomando uma bebida é a mais antiga evidência referente à cerveja. 
 
Na verdade, o que hoje chamamos de cerveja, nessa época era um líquido turvo, escuro, muito alcoólico e sujeito a todo o tipo de contaminação. Mas o povo da Suméria gostou. Gostou tanto que 40% da produção de cevada foi destinada para a produção de cerveja. As novas sensações inebriantes, os delírios, as fantasias, a excitação coletiva deram à cerveja uma elevação divina. Acreditava-se que essa descoberta os deixavam mais próximos do céu.
 
Não demorou para que outros povos começassem a produzir a sua própria cerveja. Egípcios, chineses, gauleses etc. Cada um com seu estilo e com a matéria-prima de sua conveniência. Até mesmo o Império Romano, antes do domínio do vinho por razões políticas, sucumbiu aos prazeres da cerveja. Diz-se, inclusive, que foi através da expansão romana na Europa que a cerveja se popularizou em alguns países e ganhou o seu nome em latim pelo qual conhecemos hoje. Os gauleses denominavam essa bebida de cevada fermentada de “cerevisia” em homenagem à Ceres, deusa da agricultura e fertilidade.
 
A cerveja nascia, crescia e, como um exército impetuoso digno de Gêngis Khan, conquistava cada território civilizado do mundo. E muito de tudo foi criado para saudar essa nova bebida. Hinos, poemas, rituais e, paralelamente, leis regulamentadoras. A mais antiga que se tem registro está no Código de Hamurabi, datado de 1760 a.C. Nela, se condena à morte quem não respeita os critérios de produção de cervejas. O Código também estabelecia uma ração diária de cerveja para o povo da Babilônia: 2 litros para os trabalhadores, 3 litros para os funcionários públicos e 5 litros para os administradores e o sumo sacerdote.
 
Bem, com o tempo, as leis de produção foram multiplicando-se e aperfeiçoando-se, para o bem e para o mal da cerveja, e inúmeras receitas foram criadas. Delas, nasceram os estilos de cervejas e as suas mais famosas escolas.
 
Mais isso é uma conversa para um novo capítulo. E neste “Notas de Cerveja”, novo espaço do Portal Deguste, conversaremos um pouco sobre as histórias que acompanham a bebida alcoólica mais consumida do mundo. Até a próxima!
 

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