Desafetos do Vinho

O vinho, todos nós sabemos por influência dos europeus, é um complemento alimentar e, como tal, seu fim maior é a mesa, acompanhando uma refeição. Mas apesar da incrível versatilidade e paridade dessa bebida com uma incrível diversidade de pratos, alguns alimentos, ingredientes e insumos lhes são díspares, impondo um monólogo onde se pretende seja um diálogo, na harmonização. 
 
Encabeçando a lista destes desafetos do vinho, encontra-se o vinagre, com o seu destrutivo poder de azedar o vinho, tornando-o acre. Quando posto numa salada sem parcimônia, causa uma devastação ao paladar, tornando o vinho persona non grata no embate. 
 
Outro tipo de acidez que subestima o sabor do vinho é a do limão. Em excesso ele deixa o vinho flácido, desprovido de frescor, choco na boca, sem expressão. E não é para menos, afinal, com 2 de ph (nada é mais ácido), vinho nenhum, cujo mais baixo índice de ph é 3, lhe será páreo. 
 
A Alcachofra tende a tornar o gosto do vinho metálico, devido à presença da cinarina (constituinte da alcachofra), que denigre a imagem do vinho, artificializando seu sabor. 
 
As pimentas ardidas, postas em excesso no prato, alteram a percepção do paladar e deixam a boca queimando, não valendo a pena investir no vinho, que terá seu sabor mascarado. 
 
O chocolate, rico em gordura, é difícil de “casar”, mas pode “ficar” com o vinho, desde que esse tenha força e frescor, cabendo nestes casos lançar mão dos vinhos fortificados com bom poder de fogo (álcool) e extrato, e com uma boa acidez para emulcionar a gordura que sela o palato e impede a percepção de sabores. 
 
A hortelã, em excesso, deixa um frescor na boca ao qual o vinho sucumbirá se não tiver personalidade. O curry além do ponto num prato dá uma força descomunal ao alimento, calando a voz do vinho e pondo-o em segundo plano, e para além destes ingredientes, as cozinhas peruana, mexicana e tailandesa, com sua gastronomia tipicamente marcada pelas várias espécies de capisicum (pimentas), acidez (limão) e gengibre, alteram a percepção do vinho, comprometendo o êxito da harmonização.
 
 

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