Cozinhando pelo mundo

Fotos: Rogério Vital/Deguste

 

Cheguei ao 100 maneiras Bistrô, com muita expectativa, pois por muito tempo, eu me deliciava com o fabuloso livro deste restaurante  que eu havia comprado há uns tempos em Lisboa. Então, este lugar estava na minha mira. Foi surpreendente saber, entretanto, que o restaurante, objeto de minha curiosidade, era o badalado do momento, com indicação do Guia Michelin e lá se servia um menu degustação. O Bistrô, é a mais nova cria do restaurante 100 maneiras, cujo serviço é a la carte.

Entrar em um restaurante onde a equipe já está entrosada e com um cardápio já sendo executado confortavelmente pela brigada, é um mix de apreensão e excitação, mas há algo de meio mágico dentro das cozinhas, e logo existe aquela cumplicidade de gente que está junto com vontade de fazer boa e bela comida. Assim, só nos resta arregaçar as mangas do jaleco e mãos à obra.
 
A cozinha do Bistrô é bem pequena, realmente bem pequena. Para compensar, é uma cozinha cheia de equipamentos de ponta que facilitam, e muito, o trabalho. Então, tem o Paco Jet, para os deliciosos sorvetes e sorbets, placa de indução, forno combinado, thermomix, que Sarah me apresentou como mais um cozinheiro, tal a potência desse robozinho, um luxo. Pratos lindíssimos, com design pensado para surpreender, caso do pequeno varal onde é servida uma das entradas.

Além do uso em grande de equipamentos de ponta, o que me encantou, foi o nível dos produtos recebidos. Honestamente, fiquei pensando como facilita a vida de um cozinheiro, a variedade de insumos recebidos, todos com muito padrão e frescor. Falo também daquelas coisinhas de encher os olhos, como mini legumes, brotinhos de beterraba, mini rúcula selvagem, flores comestíveis, que para quem ama aliar a estética aos pratos, são um verdadeiro alento. 

Também tive a oportunidade de fazer compras para um jantar luso-brasileiro, desta vez para um outro local, o Hide in Lisbon, cuja proposta se assemelha com a de O Bule, meu espaço aqui em Natal, e foi extremamente agradável encontrar num supermercado de atacados, toda uma variedade de insumos, com todo tipo de peixes, lagostas, lagostins, caranguejos, siris, enfim, tudo o que se deseja encontrar para executar um belo cardápio, juntos ali, num mesmo lugar.
Minha impressão de cozinhar em Lisboa foi realmente muito positiva. Qual chef de cozinha não desejaria ter a dobradinha ótimos equipamentos e grandes produtos?

Evidente que por trás de tudo, existe uma cabeça pensante, alguém responsável por gerir toda a máquina que é um restaurante e definitivamente precisa-se de uma equipe determinada. Mas isso faz parte do ser chef, e todos almejam e buscam a sua equipe de sonho. Mas, não se pode negar que ao formá-la, deseja-se também entregar a ela o que se tem de melhor no mundo, e é gratificante saber que é possível fazê-lo.
 

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