Varietais, um bom começo!!

Todos iniciamos coisas novas durante nossa vida. Eu mesmo estou começando uma nova fase com minha família, nova cidade, novos desafios, nova coluna aqui na Deguste! Para você que está enveredando no mundo dos vinhos e se sente perdido com a quantidade de rótulos, variedades de uvas, diferentes blends de diversos países e regiões, eu vou passar adiante uma dica que me foi dada logo que cheguei à Itália. 

 
O coordenador do meu curso de formação de Sommelier, senhor Fiorenzo Detti, grande conhecedor de vinhos e proprietário de uma enoteca, disse em uma de nossas primeiras conversas: “Escolha um vinho específico e beba somente ele por um mês”. Na hora achei um pouco estranho, mas depois entendi que o que ele quis dizer é que eu degustasse somente uma tipologia de vinho para poder discerni-lo entre outros e aprender as suas características.
 
E vou além na dica...
Na minha opinião, para um iniciante do universo do vinho, o melhor caminho é iniciar pelos chamados vinhos Varietais.
 
Esta nomenclatura é utilizada para definir os vinhos que são compostos por um único tipo de uva. Nos rótulos, a palavra varietal (quando presente) está sempre acompanhada pelo nome da uva como Merlot, Cabernet Sauvignon, Chardonnay, etc.
A principal vantagem em degustar um vinho varietal é que podemos aprender as características específicas de uma determinada uva, a intensidade de taninos, os tons na cor, a complexidade de aromas e sabores. 
 
Escolha uma uva em particular, de preferência um tipo que você já aprecie ou conheça, e passe um período consumindo aquele tipo de vinho. Se quiser ser ainda mais minucioso, escolha uma uva associada a um país que seja conhecido por produzir bons vinhos varietais, como por exemplo o Malbec argentino, o Carmenere chileno ou o Shiraz australiano. 
 
Os países do Novo Mundo são grandes produtores de vinhos varietais, deixando os blends de uvas para os vinhos mais caros e grandes reservas.
 
Uma vez conhecendo as especificidades de uma uva, passe aos blends, ou seja, aqueles que têm duas ou mais uvas em sua composição. Os vinhos produzidos no Velho Mundo são em sua grande maioria enquadrados nessa categoria, mas também existem ótimos varietais como o Nebbiolo italiano, o Tempranillo espanhol e o Champagne Blanc de Blancs que é composto por uvas Chardonnay.
 
Deguste. Beba com calma. Aprecie...
Seja paciente. Sinta. Aprenda...
O vinho tem muito a nos ensinar. Lembre-se que in vino veritas!
 

 

  • Marcelo Ferrari

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