O Fascínio do Picante

Fotos: Divulgação

 

O picante é revolucionário. Essa era a tese de Mão Tsé-Tung, chefe da revolução chinesa. O presidente vermelho comia de tudo, desde que fosse muito picante. Costumava comer pão com pimenta de Sichuan em grãos e colocava pimenta crua, em pedaços, em qualquer tipo de comida. E entre os revolucionários e a pimenta deve ter existido certo feeling, já que também Che Guevara nunca ficava sem ela para conter suas crises de asma. E é exatamente na América Latina que se encontra a pimenta que originou todas as outras: a ulupica. 
     
Acredita-se que a pimenta da variedade Capsicum surgiu na América do Sul 10.000 anos atrás. Os dados apontam o seu nascimento na área geográfica do sudoeste brasileiro fronteira com o Paraguai e a Bolívia: nesta região encontram-se até hoje a maior variedade de capsicums silvestres existentes. Três variedades de Capsicum são responsáveis por noventa por cento de todas as pimentas do mundo: a Capsicum Annuum, a Capsicum Chinense, e a Capsicum Frutescens. Adicionalmente existe a Capsicum Baccatum, embora esta variedade esteja restrita em grande parte aos países andinos da América do Sul, onde forma parte fundamental da dieta popular. Acredita-se que a planta foi espalhada pelas Américas por aves migratórias no seu trajeto sul-norte. O primeiro dado científico que temos sobre a utilização da pimenta pelo homem data de mais o menos 7.500 anos a.C.
 
Sementes secas intactas foram encontradas em vasilhas cerimoniais nos sítios arqueológicos de Tamaulipas e Tehuacan, no vale do México e na península de Yucatan. A este achado se soma o de uma penca de pimenta inteira encontrado na caverna do Guitarrero, no Peru, datada de 6500 a.C.. Do seu berço, a espécie Baccatum espalhou-se pelo Paraguai, norte da Argentina, Chile, Bolívia, Peru e o Equador. A espécie Annuum migrou através da Colômbia para a América Central e o norte, a Chinense foi espalhada pelo Brasil junto com uma sub espécie de nome Capsicum Pubescens, própria da Amazônia, enquanto a Frutescens espalhou-se pelas Américas afora. 
     
A mais picante do mundo? A Bhut Jolokia da região de Assam, no nordeste de Índia.
 

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