Vinho sem Frescura

Vinhos laranja, de volta ao começo

Da próxima vez que for a um restaurante não se espante se o sommelier lhe perguntar se gostaria de experimentar um vinho laranja. Isso mesmo, agora temos vinhos tintos, brancos, roses e laranjas! Mas que vinho laranja é esse e como surgiu? Bem, os “vinhos laranjas” surgiram no que hoje se chama República da Geórgia, nos primórdios da civilização, há 7000 anos atrás, quando o homem começou a fazer vinhos em ânforas de barro. Mas o que são eles? Nada mais são do que vinhos brancos feitos como tintos, deixando as cascas em contato com o liquido por longo tempo. Este contato, maior ou menor, faz com que os vinhos adquiram uma cor intensa que varia do dourado ao cobre, por isso foram apelidados de vinhos laranja pela imprensa internacional.

 
Os vinhos laranja são a nova mania entre os apreciadores e sommeliers bem informados por incluir uma nova dimensão de sabor aos vinhos tradicionais e, especialmente, por ampliar as possibilidades de harmonizações com a comida.  Os vinhos laranja são intensos nos aromas e nos sabores, complexos e arrebatadores, apresentando sempre uma experiência inesquecível ao apreciador. Oferecem a oportunidade única de sentir salinidade e taninos em um vinho branco. Quem provou sabe o quão fascinante pode ser isso!
 
O grande divulgador dos vinhos laranja no Brasil é o sommelier Guilherme Corrêa da Importadora Decanter. Ele tem conduzido algumas degustações com vinhos laranjas em várias partes do país para os mais diversos públicos e tem causado furor na imprensa especializada. A degustação que ele conduziu na Enoteca Saint Vin Saint repercute até hoje!
 
Fascinado com o que tenho lido e contando com a colaboração de um curioso grupo de amigos, resolvi repetir a mesma degustação da enoteca Saint Vin Saint aqui em Natal. O restaurante escolhido foi o Abade Ponta Negra, onde tenho sempre a atenção e os cuidados do competente e bem informado maître e Sommelier Francimar.
 
 
A degustação foi uma experiência marcante desde o início. Começamos com o vinho De Martino Viejas Tinajas Muscat 2013, com seus aromas intensos de lichia e muitas flores. Na boca um vinho de acidez marcante e um retrogosto levemente salino. Fascinante profusão de aromas distribuídos num paladar arrebatador!  Primeiro, e até agora único, vinho laranja da América do sul. A degustação já mostrou a que veio no primeiro vinho!
 
Passamos ao segundo vinho, um vinho da Sardenha, o Renosu Bianco Romangia do produtor Dettori, sem safra discriminada no rótulo por ter sido elaborado com o corte de várias safras, no caso as safras 2008, 2009, 2010, utilizando as uvas Vermentino e Moscato de Sennori. Vinho de cor amarela intensa, despertando comentários na mesa de que “agora sim temos um verdadeiro vinho laranja”.  Um suco concentrado de sabores variados, intensos.  Aromas e sabores de frutas tropicais em compota, com um pouco de resina no final. Complexo e amanteigado, com um algum açúcar residual a mais, que só fez melhorar o equilíbrio.
 
A turma já ficou animada, fascinada com o novo/velho mundo dos vinhos laranjas, que começou há apenas 7000 anos atrás!
 
 
O terceiro vinho foi um vinho da Eslovênia, o Teodor Belo Selekcija 2011, vinho feito com as uvas Ribolla Gialla, Pinot Grigio e Sauvignonasse, fermentadas separadamente, onde cada vinho permaneceu por períodos diferentes em contato com as cascas em tonéis de carvalho de 3000 litros. Vinho de cor menos intensa do que o anterior, revelou aromas de frutos brancos maduros, marcantemente mineral e delicioso frescor. Fascinante a complexidade que esses vinhos laranjas conseguem ter.
 
No quarto vinho voltamos ao Friuli na Itália para degustar o Zidarich Vitovska Carso 2009. A uva se chama Vitovska e foi fermentada em grandes “botti” de carvalho usado. 
 
O vinho passou 24 meses antes de ser engarrafado sem filtração. Cor quase tão intensa quanto o Renosu, mas agora com tonalidades acobreadas, mostrando um nariz muito sedutor. Na boca um vinho seco, que enche a boca com sabores de frutas confitadas e pela primeira vez senti os taninos marcados. Ele seca a boca! Sentir os taninos marcados em um vinho branco já justificou a experiência laranja.
 
O quinto vinho foi o Ânfora Gravner Breg 2005 do famoso Josko Gravner do  Friuli.  Feito com a seguinte composição de uvas, 45% de Sauvignon Blanc, 30% de Pinor Grigio, 15% de Chardonnay, e 10% de Riesling Itálico. Fermentação natural em ânforas de terracota importadas da Geórgia, sem controle de temperatura. Maceração de 7 meses com as cascas. Amadurecimento de 3 anos em velhos "botti" da Eslovênia antes do engarrafamento. O resultado é um vinho que causa uma experiência única em quem o experimenta! A cor amarela cobre revela que ali teremos muitos sabores, os aromas têm uma complexidade difícil de descrever, misturando frutas secas, frutas confitadas, pêssegos, cascas de laranjas. Na boca, aquele coquetel de aromas se materializa e uma intensa mineralidade equilibra tudo isso.
 
A grande característica do Ânfora Gravner Breg certamente é a sua elegância, o equilíbrio de sabores que o vinho proporciona. É um vinho com muito sabor e ao mesmo tempo muito equilibrado! Grande Vinho!!!
 
 
  • Antônio Alves

Champagne com gelo?

Cinco pontos fazem diferença

Fotos: Rogério VItal

Astrid & Gastón com Alma 4

Fotos: Divulgação