A Versatilidade Gastronômica dos Vinhos Rosados

Saberes do Vinho - Gilvan Passos

Compartilhe:

20/10/2019 - 00h38

 

Antes de falar da versatilidade gastronômica do vinho rosé, cabe esclarecer que “rosé” ou “rosado”, é um estilo ou tipo de vinho que se enquadra na categoria dos vinhos tranquilos. As castas ou variedades de uvas utilizadas para a feitura desses vinhos são essencialmente tintas, de cuja pele (casca), vermelha escura, bordô, vermelho azulada ou mesmo negra, se extrai, por diversos métodos, através de uma curta maceração pelicular, a cor rósea desejada pelo enólogo ou produtor.

Depois, cumpre dizer que não se trata de vinhos apenas para as mulheres, como defendem alguns conceitos machistas encorajados por sua leveza e cor pink feminina, porque a função maior do vinho cumpre-se à mesa, e sua melhor percepção depende do contexto da apreciação, sendo esses os critérios mais importantes a considerar.

E, por último, cabe chamar atenção para a qualidade desse estilo de vinho que, atualmente, diferentemente dos rosados produzidos no passado, apresentam uma qualidade média muito superior.

No entanto, a vasta possibilidade de harmonização do vinho rosado é sem dúvida a sua maior riqueza. Ele é, efetivamente, o marco zero na escala de harmonização, combinando com pratos muito leves até pratos mais estruturados onde os brancos se sentiriam intimidados, e no outro extremo da escala, combinando com pratos que se inclinam para os tintos, indo até onde alguns tintos seriam desastrosos.

Para ser mais preciso quanto as iguarias, os vinhos rosados passeiam bem pelo sushi e sashimi, ovas de pescados em geral, mexilhões, mariscos, caldos e sopas, pescados leves e frutos do mar em geral, chegando a peixes mais calóricos como o salmão e o atum. Além do bacalhau em diversas preparações, adentrando daí em diante na esfera dos tintos, com massas com molhos vermelhos: pomodoro, bolognesa, queijos frescos e de meia cura, carnes brancas: aves e porco, e algumas carnes vermelhas com menos intensidade de sabor.

Isso tudo apenas variando a intensidade de cor do vinho rosado, haja visto que, quanto mais contato com as cascas no momento da fermentação, mais extração e mais corpo, e quando menor for o contato, mais leveza e menos cor. Os rosados mais leves, estilo Provence, são perfeitos para se apreciar a céu aberto, em dia de sol com muita luz, e aconselhadíssimos como aperitivo e para as entradas mais leves. Já os rosados mais macerados, são os vinhos de mesa, mais sérios, que combinarão com os pratos de maior estrutura, e entre um extremo e outro das cores possíveis num vinho rosé, são muitas as opções à mesa e as ocasiões para a apreciação.