Magazzino promove jantar no Cascudo Bistrô com o enólogo Paulo Laureano

Fotos: Rogério Vital / Deguste
Marcelo Chianca, Paulo Loreano (com livro de Câmara Cascudo) e o Chef Daniel Cavalcanti
 
Um dos mais conceituados enólogos de Portugal e referência na produção de vinhos do Alentejo, Paulo Laureano esteve em Natal nessa segunda-feira (6), para participar de um jantar harmonizado no Cascudo Bistrô para 40 pessoas, em parceria com o Magazzino Vinhos e Cozinha, que comercializa seus vinhos na cidade.
 
Énolo português Paulo Loreano falou sobre sua atividade, antes do início do jantar
 
Antes do jantar começar, Paulo Laureano falou um pouco sobre o seu trabalho como enólogo, que só utiliza uvas portuguesas autóctones para a elaboração dos vinhos. Paulo entende que os vinhos devem mostrar as características de onde ele é produzido, como o clima, o solo, terreno, ou seja, o famoso terroir, que define a identidade da bebida. 
 
 
Paulo Laureano começou a produzir vinhos comercialmente em 1993 com o Herdade das Cortiçadas e, atualmente, tem um portfólio de 26 rótulos. Cerca de 65% de sua produção é voltada para o mercado externo, que já foi de 80%. Angola é o país que mais consome seus vinhos, enquanto o Brasil ocupa a quinta posição. Entre 2009 e 2010 o Brasil já liderou esse ranking.
 
Bolinho de bacalhau tradicional com Polvo a lagareiro
 
Sobre o aumento do consumo de seus vinhos em Portugal, o enólogo atribui a dois fatores: primeiro a condição econômica do país, que melhorou nos últimos anos, e, principalmente, ao incremento do turismo, vez que as pessoas, além de consumirem os vinhos durante a viagem, ainda compram para levar para suas casas.
 
Com cardápio assinado pelo chef Daniel Cavalcanti, que se inspirou no país de Paulo para elaborar os pratos, o jantar foi conduzido em quatro tempos, com entrada, dois pratos principais e uma sobremesa.
 
Bacalhau alto com purê de batata confitada e Picanha de cordeiro com crosta de ervas e batata
 
Um Bolinho de bacalhau tradicional com Polvo a lagareiro foi a escolha do chef para acompanhar o vinho Paulo Laureano Clássico branco, elaborado com as castas Antão Vaz, Roupeiro e Fernão Pires.  O seu aroma é cítrico com notas florais e minerais. É um vinho bastante refrescante e muito fácil de beber, com acidez bem balanceada. 
 
Quindim foi a sobremesa do jantar
 
O Paulo Laureano Premium Vinhas Velhas Tinto 2015 foi o vinho escolhido para harmonizar com o delicioso Bacalhau alto com purê de batata confitada. O vinho, elaborado a partir das uvas Trincadeira, Aragonez e AlicanteBouschet, casou muito bem com o bacalhau. O frescor e a ótima textura de seus taninos equilibraram muito bem a comida na boca. 
 
O prato seguinte a ser servido foi um uma macia e saborosa Picanha de cordeiro com crosta de ervas e batatas crocantes, que foi acompanhado do vinho tinto Paulo Laureano Reserve 2013, que passa 18 meses em barricas de carvalho. 
 
 
Feito com as castas Aragonês, Trincadeira e AlicanteBouschet, tem boa estrutura e complexidade aromática, que é confirmada em boca com aromas de frutas vermelhas maduras e especiarias. Seu final é deliciosamente prolongado. 
 
O quatro vinho da noite, o Paulo Laureano Tradições Antigas Talho, foi apresentado sem comida e chamou muito a atenção dos convidados por se tratar de um vinho histórico, como bem frisou o enólogo, porser produzido utilizando-se as mesmas técnicas que os romanos utilizavam, há 2.000, usando a talha, grandes ânforas de barro.
 
Paulo Laureano Tradições Antigas é um vinho tinto feito de uvas de vinhas antigas misturando as castas Aragonês, Trincadeira, Alfrocheiro, Tinta Grossa e AlicanteBouschet, esmagadas e desengaçadas de forma manual. É um vinho para ser bebido jovem, que apresenta boa acidez e taninos agradáveis, com fim de boca muito prolongado.
 
 
O jantar foi finalizado com uma singela sobremesa, mas que foi bastante elogiada: o quindim, muito bem feito pelo chef Daniel Cavalcanti. Antes, porém, Pulo Laureano foi agraciado por Daniel Cavalcanti com o livro A História da Alimentação no Brasil, do mestre potiguar Luís da Câmara Cascudo. “Fiquei muito feliz com a gentileza do Daniel. Vou ler esse livro durante minhas viagens”, disse o enólogo.
 
Marcelo Chianca, do Magazzino Vinhos e Cozinha, disse que ficou muito feliz com a receptividade da proposta do jantar, que contou, mais uma vez, com a presença do enólogo responsável pelos vinhos que foram servidos na noite. "Para quem gosta de vinhos, beber conversando diretamente com o produtor é uma experiência muito rica", finalizou.
 
Pratos foram harmonizados com vinhos Paulo Loreano
 

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