Especial: This is New York

Publicado por em 16 de jun de 2019

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Com status de ícone entre as grandes metrópoles, Nova York é uma das cidades mais visitadas do mundo e, no meio dessa legião de turistas, está o brasileiro, que de uns anos para cá viaja cada vez mais para conhecer suas principais atrações turísticas, como ir aos teatros da Broadway, visitar os museus, frequentar os bons restaurantes, assistir aos shows de jazz e blues,  curtir a vida noturna de uma cidade que não dorme e, principalmente, fazer compras, muitas compras.

   
E foi para mostrar um pouco dessa diversidade que a DEGUSTE esteve em Nova York, no mês de outubro, e descobriu até uma natalense, Fabiana Lima, que tem um charmoso café no Brooklyn. A história desta potiguar, você vai conhecer nas páginas a seguir, juntamente com nossas dicas para a sua viagem a essa encantadora cidade.

Salada orgânica da Le Pain Quotidien

O Central Park, com mais de 340 ha de gramado, é um dos lugares mais belos de Nova York, e o melhor dia para visitá-lo é no domingo, quando ele fica cheio de atrações, que vão desde shows de artistas a apresentação de grupos de street dance. 

   
Como o passeio é demorado, tome antes  um belo e farto café da manhã no Le Pain Quotidien, uma boulangerie que trabalha com produtos de alta qualidade, muitos deles orgânicos. A casa fica a uma quadra do Central Park, e costuma lotar de americanos e turistas.
 
A Quinta Avenida é o sonho de consumo das mulheres que têm o cartão de crédito com limite mais elevado, ou até mesmo sem limite. Nesse lugar, podem-se gastar milhares de dólares num piscar de olhos. Para isso, basta entrar em uma das muitas lojas de grifes famosas, como Louis Vuitton, Channel, Cartier, Dolce e Cabanna, e fazer umas comprinhas. 

   
Outra grande atração da Quinta Avenida é a loja da Apple, que funciona 24 horas por dia, e está sempre lotada. Com preços atraentes, os turistas compram de tudo, principalmente o iPhone 5s.
 
Ainda na Quinta Avenida, não deixe de almoçar no restaurante que fica no 7º andar do edifício da Bergdorf Goodman, uma das lojas de departamento mais sofisticadas, caras e charmosas de Nova York. Mas o surpreendente é que seu restaurante, o BG at Bergdorf, não é caro e oferece uma comida de excelente padrão.  O Bergdorf Goodman fica bem próximo à loja da Apple. É fácil de encontrar.

A cantina Giovanni Rana é boa opção para comer no Chelsea Market

Ponto de encontro de turistas, a Times Square tem como atração principal os enormes letreiros de Hollywood, ofuscantes em meio a todo tipo de anúncios. Mas há também boas lojas de departamento com preços mais em conta, além de muitas pessoas vestidas com personagens e símbolos típicos da cultura americana, como a Estátua da Liberdade. Por um dólar, pode-se tirar uma foto com uma dessas estátuas e trazer a lembrança para casa. Vá ao final do dia, quando o sol se põe e os enormes letreiros surpreendem os turistas. 

Camarão com ravióli de espinafre, um dos principais do BG at Bergdort

Símbolo maior da cidade de Nova York, a Estátua da Liberdade, que pesa 225 toneladas e tem 93 metros do chão até a ponta da tocha, atrai diariamente milhares de turistas, que vão visitá-la num passeio de ferry que dura cerca de 15 minutos, saindo do Baterry Park, em Lower Manhattan. 
 
A High Line é a mais antiga estação de trens de carga da cidade, que ficou por muitos anos abandonada e, agora, é um agradável parque elevado, aberto ao público desde 2009. Com 9 metros de altura, ela oferece uma vista incrível e é muito frequentada pelo nova-iorquino, que aproveita as cadeiras para bater papo, descansar e tomar banho de sol.

   
O Chelsea Market é um daqueles lugares descolados de Nova York, que todo bom gourmet deve visitar. O lugar é super descontraído e tem diversas lojas com excelentes produtos para a culinária, além de bons restaurantes, como a cantina Giovanni Rana com suas massas frescas, que faz a alegria dos amantes da cozinha italiana. O Lobster Place também faz muito sucesso entre os turistas, por oferecer enormes lagostas frescas.

Uma visita, também, imperdível em Nova York é o Grand Central Terminal. Trata-se de importante terminal ferroviário e metroviário localizado em Midtown. Inaugurado em 1903,  ele concentra várias linhas de metrô e trens de subúrbio, e possui muitas lojas e restaurantes. É o maior terminal de trens do mundo em número de plataformas – são 44 com 67 trilhos entre elas.  

Vendedor de lagosta na Lobster Place, no Chelsea Market

Nova York tem quase oito mil restaurantes para atender as necessidades dos cerca de seus oito milhões de moradores, e dos milhares de turistas que a visitam anualmente. Fazer um roteiro gastronômico em poucos dias é tarefa difícil, ainda mais se o tempo disponível foi gasto para conhecer as outras atrações da cidade. 
 
Porém o restaurante Aquavit, que tem uma estrela no famoso Guia Michelin, é uma excelente opção, principalmente se a pedida for pelo menu degustação, que surpreende pela diversidade de texturas e sabores, com apresentação impecável dos pratos, além de ter um ambiente muito bonito. 

 
Se você estiver passeando pelo Soho, o bairro mais “cool” de Nova York e for fã de tapas, não deixe de visitar o Boqueria. Você vai se encantar com as delícias da charcuteria e de pratos clássicos da gastronomia espanhola. O lugar vive lotado.
 
O blues de B. B. King e sua Lucille
Considerada a capital do jazz, Nova York oferece os melhores shows com os maiores nomes do jazz e blues em diferentes casas noturnas dos mais variados estilos, todos os dias da semana.

 
E para quem é fã do blues e tem a sorte de assistir a um show de ninguém menos que B. B. King, o Rei do Blues, é como ter vivido, por algumas horas, no eterno paraíso. A apresentação de B. B. King aconteceu no mês de outubro, na casa de shows que leva seu nome, o B. B. King Blues Club & Grill, próximo a Times Square. 
 
A casa estava lotada e era visível a ansiedade dos fãs desse grande artista, que puderam assistir a um inesquecível show, de uma lenda viva da história musical dos Estados Unidos e do mundo.

 
Aos 88 anos de idade e mostrando ainda vitalidade e muita simpatia, B. B. King se apresentou com sua banda que o acompanha há muitos anos, formada por grandes músicos do blues americano, a chamada velha guarda. 
 
Eles foram entrando no palco um a um e, de cara, improvisavam um belo solo para delírio das poucas mais 600 pessoas que lotaram a casa. A noite estava apenas começando e prometia ser muito especial.

 
E realmente foi! Quando B. B. King entrou no palco, a plateia foi ao delírio e o recebeu com muitas palmas e rapidamente formou-se uma legião de fãs na sua frente tirando muitas fotos e filmando para registrar um momento único, que será lembrado para sempre por todos que ali estavam.
 
Passado o frisson inicial, o público queria ver e ouvir o grande B. B. King cantar e, principalmente, tocar a sua “Lucille”, como carinhosamente ele chama suas guitarras. E o velho músico não decepcionou. Por cerca de 90 minutos, ele tocou alguns de seus muitos sucessos e também conversou com a plateia que, em estado de êxtase, curtiu até o último momento os acordes de um dos maiores músicos de todos os tempos.
 
A história da natalense Fabiane Lima e seu café em Nova York
 
 

A natalense Fabiane Lima foi para Nova York em 1988 trabalhar para a TV Manchete na área de produção jornalística e não voltou mais. Hoje, ela é dona de um charmoso café em Williamsburg, no bairro do Brooklyn, o Fabiane’s Café and Pastry.

 
Mas a relação de Fabiane com a gastronomia surgiu por pura necessidade de sobrevivência. Como Nova York é uma cidade reconhecidamente cara para quem vive nela, Fabiane começou a cozinhar em casa e levar o almoço para o trabalho. “Eu não sabia que gostava de cozinhar. Na verdade, foi a necessidade de economizar que me levou para esse saboroso mundo”, conta ela.

   
Em 1994, Fabiane tomou uma decisão que mudaria radicalmente sua vida em Nova York, quando resolveu investir profissionalmente na área de gastronomia e foi estudar no renomado e super valorizado French Culinary Institute, no bairro do Soho, que hoje se chama The International Culinary Center.
 
O curso durou 12 meses, sendo seis de culinária e seis de especialização em pâtisserie (bolos e doces) a grande paixão de Fabiane, que lhe rendeu o 1º lugar na prova final. Como essa conquista, ela foi imediatamente convidada para estagiar no famoso restaurante Le Cirque, pois o dono era um dos jurados da prova final.

 
Mas foi justamente nesse período que Fabiane viveu suas maiores dificuldades em Nova York. Como o estágio, que durou um ano, não era remunerado e ela não trabalhava mais na TV Manchete, a crise financeira se instalou. Ela lembra que procurava emprego e ninguém dava porque não tinha experiência na área. E para sobreviver, ela contou com a ajuda financeira do pai e de um amigo jornalista, que lhe emprestava o dinheiro todo mês para ajudar no pagamento do aluguel do apartamento. “Foram tempos difíceis, mas de muito aprendizado profissional”, revelou Fabiane, emocionada.
 
A situação começou a melhorar quando o estágio terminou e Fabiane recebeu uma carta de apresentação do Le Cirque. “Aí as portas começaram a se abrir para mim”. O primeiro trabalho remunerado dela foi no restaurante Osteria Del Circo. Fabiane também chegou a trabalhar por um curto período na cozinha de Daniel Boulud. Ela ainda se juntou a uma amiga e passaram a fazer chocolates e doces em casa para vender por telefone. O negócio deu tão certo que elas pensaram em abrir uma fábrica de doces, mas o projeto não vingou porque a amiga desistiu.

 
A história do Fabiane’s Café começou em 2001, quando ela e mais dois amigos investidores abriram a casa.  Depois de trabalhar duro durante quatro anos, em 2005 Fabiane comprou a parte dos sócios e, desde então, administra sozinha o café. “Foi um sonho realizado”, completa.
 
O Fabiane’s Café fica numa esquina de uma das ruas mais movimentadas de Williamsburg, com muitas lojas típicas de bairro que atraem um bom fluxo de pessoas. O café funciona das 7h30 às 23h de segunda a sábado, e das 7h30 às 22h aos domingos. 

   
Com 22 funcionários, 12 na cozinha e 10 no atendimento do salão e das mesas externas, o Fabiane’s Café oferece a sua clientela cerca de 100 produtos, entre doces, salgados, bolos, biscoitos, sanduíches, pratos quentes, sopas e café da manhã, além de bebidas alcoólicas ou não. Com 20 dólares, é possível fazer uma boa refeição, tomar um café e saborear uma sobremesa.
 
Devido à formação de pâtisserie de Fabiane, o café tem como destaque os bonitos e saborosos doces, dos mais variados tipos, como floresta negra, panacota, crème brûlée, gluten free éclair, cheesecake. São delícias difíceis de resistir. A casa também faz serviço de catering durante sessões fotográficas para revistas de moda, filmes e propagandas, o que garante a Fabiane uma boa renda extra.

 
O sucesso profissional de Fabiane em Nova York já lhe rendeu matérias em veículos importantes como o The New York Times; no programa Fantástico da TV Globo, com Zeca Camargo; no Time Out Magazine; no Japan Magazine, além de uma matéria na Globo News. Naturalizada americana, ela não tem planos de voltar a morar no Brasil. Pelo contrário, para 2015, pretende abrir um novo café, desta vez em Manhattan. “Não me vejo mais morando no Brasil. Depois de todos esses anos aqui, sinto-me plenamente adaptada ao estilo de vida americano. Mas a saudade da família e dos amigos é sempre grande”, finaliza Fabiane.
 
Os sushis do restaurante 1or8
 

Um dos melhores momentos gastronômicos que eu tive em Nova York, daqueles impossíveis de esquecer, foi no legítimo restaurante japonês 1or8, próximo ao café de Fabiane Lima, em Williamsburg.

 
A casa trabalha com cardápio quente e frio e também com um menu degustação de sushis, que me surpreendeu enormemente devido à variedade e à qualidade dos produtos, em que o cliente paga um preço fixo e come à vontade. Para quem sabe apreciar uma das principais iguarias da gastronomia japonesa, que existe há mais de 200 anos, ir ao 1or8 é vivenciar uma experiência sensorial incrível.

 
O menu degustação é servido em um balcão para, no máximo, 12 pessoas, que têm o privilégio de conhecer a técnica apurada do sushiman do restaurante, o simpático japonês Kazuo Yoshida, natural de Nagazaki, há 20 anos em Nova York.
 
A habilidade de Kazuo surpreende os comensais, que apreciam os sushis escoltados por saquê de excelente qualidade, servido de forma tradicional em frasco pequeno de cerâmica, que fica dentro de uma vasilha em água quente, ideal para tempo frio. E naquela noite fazia muito frio!

 
A bebida nos foi servida pelo próprio dono do restaurante, o também japonês Shinji Mizutani, que escolheu o saquê da marca Seikyo tipo Junmai, leve, macio e com gosto de fruta e um final de boca limpo. 
 
Os sushis de Kazu são feitos dos mais variados produtos, muitos exclusivos, como o Black Log Fish, um peixe que só existe em Tokyo. Outro destaque é o Japanese Smelt, um tipo de peixe que é pescado apenas durante duas semanas por ano, natural do norte do Japão e da grande baía de Peter, na Rússia.

   
Impressionado com os sabores e texturas dos sushis, eu abusei da boa vontade de Kazu e degustei 23 unidades, sem repetir nenhuma, entre sushis de Enguia fresca do Japão, do King salmão do Alaska, de Ouriço do mar, de ova de salmão do Oregon, além de outras surpresas muito saborosas.