Natal, 09 de setembro de 2010

Perfil: Flávio Rezende, jornalista

19/04/2010 às 22:21:20

Foto: Canindé Soares/Deguste
Flávio Rezende e a esposa, Andrea Browne: união em prol da vida e do bem


O jornalista Flávio Rezende é uma pessoa do bem. Tão do bem que idealizou a Casa do Bem, uma organização não-governamental presente em Mãe Luiza, bairro de baixa renda da capital potiguar. Seus projetos socioeducativos e culturais envolvem crianças, adolescentes, jovens e adultos da comunidade, favorecendo troca de vivências e atividades que visam orientá-los para o lado oposto do caminho que leva às drogras, à violência e à ociosidade. E Flávio não valoriza apenas o ser humano. Ele é tão do bem que tem todo um carinho especial pelos bichos. Mais do que isso, é um apaixonado pela vida e, por isso mesmo, não gosta de ver os demais seres serem sacrificados “em nome de um suposto prazer gastronômico”. Fazendo valer a proposta inicial desta coluna, eis o primeiro perfil “Ser vegetariano”. Com vocês, Flávio Rezende!


“Respeito mais o direito à vida dos demais do que meus prazeres alimentares pessoais” (FR)

 

Estilo de alimentação? Atualmente, sou vegano.

Há quanto tempo e por quê? Optei pelo vegetarianismo em 2001 por não me sentir bem sendo responsável pela morte de muitos animais. Depois, percebi que a maneira de obter ovos e derivados do leite é cruel demais, optando pela radicalização através do veganismo.

Foi difícil no início? Sempre foi muito, muito fácil! Não sinto saudade de nada em termos de sabor e fico com a consciência absolutamente tranquila. Meu maior prazer é não carregar dentro de mim o peso de ser um executor de animais.

Tem aberto exceções? Sem exceções. A cada dia tenho mais certeza de ter feito a escolha certa.

A família aderiu também? Minha esposa, Andrea Browne, é vegetariana. Meu filho Gabriel, não. Mel ainda mama. Esperamos no futuro pela decisão deles. Se for igual à nossa, ótimo; do contrário, respeitaremos.

Como é a sua rotina gastronômica? De manhã, iogurte de soja com granola e sumo de limão. Almoço no Nativos, restaurante vegetariano, ou em self-service pegando só os grãos, verduras, legumes, etc. Encomendamos pizzas veganas de Kuru ou da Eco Vila Pau-Brasil. Não temos problemas.

Fora de casa, onde costuma ir? Aos domingos, vamos sempre ao Nativos. Durante a semana, novamente Nativos ou ao restaurante vegetariano do Tirol. Gosto também do self-service Pinga-Fogo, optando, é claro, pelas saladas, vegetais, etc. Outro prato que gosto é o shop-suey de legumes dos restaurantes chineses, além de milho cozido, amendoim torrado nos jogos de futebol e pipoca sem manteiga nos cinemas...

Sente dificuldades em ser vegetariano fora de casa? De maneira nenhuma. Hoje em dia tem muitas opções, lojas especializadas, não tenho nenhum problema em lugar nenhum. Sabendo que vou ter, levo marmita, frutas, biscoitos integrais sem açúcar, por ai...

Qual a sua visão acerca do consumo de carnes e derivados animais, principalmente em relação aos alimentos industrializados? O maior problema ambiental do planeta é a troca da vegetação natural pelo pasto, ocasionando desmatamento. O homem está destruindo o planeta por causa de prazeres que podem ter substitutos saudáveis, que causam boa disposição e que respeitam a vida dos demais seres. É uma espécie de suicídio lento, gradual e seguro o que os carnívoros estão fazendo. O homem está morrendo aos poucos pela boca...

E o que pensa da indústria? Ela obtém os produtos de maneira cruel. Vivemos em uma sociedade egoísta que vê o ‘hominal’ como o ser que tudo pode. Grandes almas já se posicionaram a favor do vegetarianismo. Podemos viver saudavelmente sem sacrificar os animais. O planeta só vai ter sua aura limpa quando houver respeito a todos os seres vivos.

Esteja à vontade para esclarecer outros aspectos. É possível viver sem matar os irmãos dos reinos inferiores. Um dia vamos viver de luz e nem os vegetais serão mortos por nós. Sonho com esse dia, onde o prana vai nos alimentar. Até ao ingerior grãos, frutas e verduras, não me sinto bem, pois também é uma espécie de matança. Às vezes, sinto saudade do meu corpo imaterial, espiritual, que não precisa de alimento material. Uma maneira de tentar esquecer esse presente é mergulhar no mundo da bondade real, é praticar o bem. É por ai.



* Troque ideias com Flávio Rezende através do e-mail artigosdeflaviorezende@gmail.com;
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Vertentes vegetarianas

14/01/2010 às 17:28:05


Extraio do artigo "O dilema do onívoro", da nutricionista e terapeuta naturopata Elaine de Oliveira, publicado na edição de janeiro da revista Alta Gastronomia, um quadro bastante elucidativo quanto aos tipos de vegetarianismo. Lembrando que "onívoro" é aquele que come todo tipo de alimento.

A especialista destaca que os vegetarianos podem ou não utilizar derivados animais na alimentação e que, com mais de 20 anos de experiência, já presenciou pessoas que resolveram problemas digestivos agudos e crônicos, como prisão de ventre, gastrites e alergias, ao adotar uma dieta vegetariana.

Mas, também já viu vegetarianos de longo tempo terem, por exemplo, problemas hemorrágicos e anemias severas. "Quem opta pelo vegetarianismo estrito tem que prestar muita atenção na combinação dos alimentos para receber todos os aminoácidos necessários", pontuou.

E diz, em suma, que a dica para quem pensa em eliminar as carnes do cardápio é buscar orientação nutricional e estabelecer uma dieta rica em aminoácidos essenciais para o organismo funcionar bem. "Seja por necessidade fisiológica ou decisão filosófica, escolher uma ou outra linha alimentar sempre demandará bom senso e equilíbrio", recomenda.

Eis os tipos:

Ovolactovegetariano - um vegetariano que utiliza ovos, leite e laticínios em sua alimentação;

Lactovegetariano - vegetariano que não utiliza ovos, mas consome leite e laticínios;

Vegetariano estrito - vegetariano que não utiliza nenhum derivado animal na sua alimentação. Também conhecido como vegetariano puro;

Vegano - vegetariano estrito que recusa o uso de componentes animais não alimentícios, como roupas, sapatos de couro, lã e seda, assim como produtos testados em animais. Em inglês, você vai encontrar o termo "vegan" como referência a esse indivíduo. No Brasil, esse termo foi traduzido como vegano;

Crudivorista - em geral, um vegetariano estrito que utiliza alimentos crus ou aquecidos a, no máximo, 42 ºC. Geralmente fazem uso também de alimentos em processo de germinação (cereais integrais, leguminosas e oleaginosas);

Frugivorismo - vegetariano estrito que utiliza apenas frutos na alimentação. O conceito de "frutos", nesse caso, segue a definição botânica, que inclui os cereais, alguns legumes (abobrinha, berinjela, tomate, etc.), oleaginosos e as frutas;

Macrobiótico - forma de alimentação que pode ou não ser vegetariana estrita (muitos macrobióticos comem peixe). Outra peculiaridade é que existe um forte fundamento filosófico de vida. A dieta macrobiótica, diferentemente das vegetarianas, apresenta indicações específicas quanto à proporção dos grupos alimentares a serem utilizados. Essas proporções seguem diversos níveis, podendo ou não incluir as carnes (geralmente peixe). A macrobiótica não recomenda o uso de leite, laticínios ou ovos.

Semivegetariano - indivíduo que faz uso de carnes, geralmente brancas, em menos de três refeições por semana. Alguns consideram essa terminologia quando em apenas uma refeição por semana. Atenção: esse indivíduo não é vegetariano.

 

Tropical Mix é ideal para quem eliminou as carnes do cardápio

24/11/2009 às 19:44:33

Fotos: Adriana Amorim/Deguste
Produto é natural e contém linhaça, soja, girassol, gergelim e abóbora, ricos em proteínas e minerais

 

Muito me perguntam sobre minha dieta sem carnes. Costumo responder que, diariamente, faço a ingestão de tudo que meu organismo necessita com apenas duas colheres ao dia de uma mistura que compro na Asmarana.

Jandira e José Brandão são proprietários da Asmarana, uma graciosa e variada loja de produtos naturais

A Asmarana Produtos Naturais produz e comercializa o Tropical Mix, uma multimistura feita com farinha de sementes selecionadas, composta por linhaça, soja, girassol, gergelim e abóbora.

Pode ser acrescida ao suco, vitamina, sopa, durante o preparo do bolo ou mesmo sobre frutas e sorvetes. O sabor é excelente!

Certificado pela Subcoordenadoria de Vigilância Sanitária (Suvisa), o produto é uma ótima fonte de vitaminas, minerais, proteínas, carboidratos, ácidos graxos, ômegas 3, 6 e 9, fibras, isoflavonas e antioxidantes.

Essas substâncias são indispensáveis à saúde de qualquer pessoa e substituem as proteínas encontradas em carnes brancas e vermelhas.

Dentre os benefícios, destaco a eliminação quase que por completo das dores provocadas pela menstrução e melhoria na digestão. Além disso, evita prisão de ventre, previne hemorróidas, melhora as taxas de colesterol e triglicérides, diminui radicais livres, melhora a assimilação de outros medicamentos e ainda ajuda a emagrecer.

À frente da Asmarana está o casal José e Jandira Brandão. Ele é agrônomo e decidiu abrir a loja oito anos atrás com o intuito de estudar o que a natureza oferece em prol da saúde.

Você pode adquirir o Tropical Mix ao custo de R$ 15 (pote pequeno com 350g). Lá, você ainda vai encontrar muitos outros produtos naturais, tanto de origem vegetal, como também animal e mineral.

 

Asmarana
Av. Deodoro da Fonseca, 533, Cidade Alta
Natal/RN
Informações: (84) 3201-0525

 

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A verdade incomoda, mas deve ser debatida

10/11/2009 às 23:46:23

Perto de onde moro, um senhor costumava sentar-se ao banco de uma praça aos domingos e, ali, pacientemente, esperava que algum pombo adentrasse à gaiola atraído pelos grãos de milho de pipoca. A ideia era levá-lo à panela. Mas, alguns “protetores” de pombos sempre impediam a ação ao jogar bombinhas de festa junina para espantar o bando. Em alguns momentos, policiais foram acionados, até que resolveram apreender a gaiola do pobre homem.

Curiosa que sou, quis saber de um dos “defensores” o motivo que o levou à proteção das aves. A resposta veio de imediato: “Coitado dos pombos, ele queria fazer panelada dos bichinhos!”. Perguntei, então, se ele comia frango. “Sim, por quê?”, indagou o rapaz, que obteve de mim mais um questionamento: “Você não sente pena da galinha que é sacrificada para virar panelada?”. Nessa abordagem, ele parou, pensou e se questionou, pela primeira vez, acerca de uma atitude tão presente no dia-a-dia da humanidade: “Sabe que nunca parei para pensar sobre isso!?”.

Naquele momento, percebi quão carente é a discussão em torno do consumo de carnes de maneira que ele pudesse ser feito de forma consciente ou menos omissa. O ser humano moderno tem à disposição frigoríficos, self-services, fastfoods e supermercados recheados de opções e pratos à base de carnes e seus derivados. É fácil comprar, é fácil preparar e tudo parece ser muito saboroso e saudável.

Mas, é importante frisar que a maior parte dessa comida é produzida de maneira industrializada. E como toda produção em massa, a preocupação da indústria é uma só: lucrar e atender a demanda cada vez mais crescente de consumidores. Na incumbência de vender seus produtos, a matéria-prima – ou seja, os bichos –, além de ser tratada como “mero produto”, é submetida a estresses, confinamentos e até produtos químicos para fazê-la crescer precocemente, engordar, gerar mais leite e ovos.

Por isso só, é possível perceber que não se trata de um alimento tão saudável como informa a propaganda. Ressalto, contudo, que minha crítica maior não é a quem consome carnes, ovos e leite, mas à indústria e a forma como ela trata animais, como produz alimentos e como tudo isso interfere diretamente no meio ambiente. Seja com a significativa contribuição para o desperdício de água, destruição da camada de ozônio, poluição do ar, do solo, dos rios e aqüíferos.

Tudo me leva a crer que a humanidade, que deixou de ser caçadora/coletora há tempos, ainda preserva uma visão distorcida em relação à natureza. O homem, que deveria tê-la como parceira, a tem como propriedade. Pouca gente, inclusive, conhece o significado da palavra “empatia”. O respeito pela vida animal ainda é insignificante. Mas, é sempre bom lembrar que ela, a vida, é comum a todos, inclusive aos animais e, sim, até aos vegetais, frutas e legumes.

Contudo, uma alimentação vegetariana é uma forma de preservar vidas animais e a própria humanidade. A notícia boa é que, aos poucos, mais opções que substituem as propriedades contidas nas carnes estão chegando às nossas prateleiras e restaurantes. Isso é um bom sinal e, além de ser uma comida mais saudável, é menos danosa ao único mundo cabível à sobrevivência de nossa espécie.

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